quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Tenho Fome



Tenho fome de tua boca, de tua voz, de tua pele
E pelas ruas vou sem nutrir-me, calada
Não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra
Busco o som líquido de teus pés no dia
Estou faminta de teu riso resvalado
De tuas mãos cor de furioso celeiro
Tenho fome da pálida pedra de tuas unhas
Quero comer tua pele como uma intacta amêndoa
Quero comer o raio queimado de tua beleza
O nariz soberano do arrogante rosto
Quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas
E faminta venho e vou olfateando o crepúsculo
Buscando-te, buscando teu coração ardente
Como uma puma na solidão de Quitratúe
(Pablo Neruda)

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